Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight,2016)

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Lendo a sinopse, muitos podem pensar que este é mais um filme de gueto ou mais um que fala do racismo. Se você acha isso, está redondamente enganado. “Moonlight: Sob  Luz do Luar” fala do autoconhecimento, de tentar se reafirmar e de autodescoberta.

Com influências claras do imperdível “Elefante”, de Gus Van Sant, “Moonlight” fala de várias fases de um mesmo personagem. Na infância, Chiron, em uma interpretação marcante de Alex Hibbert, sofre bullying e é  chamado de “faggie” (bicha, bem pejorativo mesmo). Isso ocorre no início da explosão do Crack na parte pobre de Miami. Na adolescência, o bullying aumenta e o personagem vai ficando cada vez mais instrospectivo.Dez anos depois, este mesmo Chiron agora échamado de Black e comanda o tráfico de drogas.

O longa tem o grande mérito de não falar de conceitos, não tachar ninguém como bom ou mau, deixa o espectador fazer seus próprios julgamentos. E isso reflete muito no personagem Juan ( Mahershala Ali, indicado ao Oscar merecidamente) que é um traficante, mas que Chiron adotou como pai durante a sua infância desamparada.

A câmera acompanha os personagens, fazendo com que o espectador participe da ação e em nenhum momento cai em enquadramentos óbvios. É um filme para refletir, um filme que sensibiliza e emociona, ao tratar de um tema difícil sem cair na pieguice ou no dramalhão. Já é um dos grandes longas do ano.

O filme foi indicado a 8 Oscar: Melhor Filme, diretor, ator coadjuvante (Mahershala Ali), Atriz Coadjuvante (Naomie Harris, fantástica também), roteiro adaptado, fotografia, edição, trilha sonora e canção original

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